domingo, 21 de junho de 2015

OS CHARRUA/MINUANO

Minuanos.


No Rio Grande do Sul, Charrua/Minuano ocupavam áreas de campos do sudoeste, até aproximadamente a altura dos rios Ibicuí e Camaquã, mas também se estendiam para o pampa uruguaio e as pequenas porções do território argentino.
Cada uma delas, entretanto, ocupava áreas bem-definidas. Os Charrua “moravam mais para o oeste, ocupando ambas as margens do Rio Uruguai e tiveram maior contato com o colonizador espanhol”, enquanto que os Minuano “se loca­lizavam mais para leste, nas áreas irrigadas pelas lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira, com extensão até as proximidades de Montevidéu; tiveram maior contato com os portugueses” (BECKER, 1991, p. 145).
Os Charrua/Minuano praticavam a caça, a pesca e a cole­ta. Alguns arqueólogos cogitam a possibilidade da cultural ma­téria produzida pelos antepassados destes indígenas pertencer à Tradição Arqueológica Vieira, construtora dos “cerritos”. Per­tenciam a um mesmo tronco linguístico, mas não está claro se falavam a mesma língua ou dialetos diferentes.
Nas primeiras décadas do século XVI, as expedições sobre os territórios Charrua/Minuano foram esporádicas. Entretanto, a partir de meados deste mesmo século e primei­ras décadas do século XVII, os interesses das Coroas Ibéricas crescem na região e alianças com lideranças Charrua, como Zapicán, Miní, Guaytán, e lideranças Minuanas, como Cloyan e Lumillan, passam a ser efetivadas. Possivelmente pela lógica nativa, essas alianças possibilitaram vantagens das parcialida­des lideradas por estes caciques para lutarem contra os grupos indígenas inimigos que também ocupavam o território.
No que se refere à utilização da aliança e à guerra nas sociedades nativas, Pierre Clastres, no trabalho Investigaciones em antropología política, enfatiza:

Ya hemos indicado que, por la voluntad de indepen­dencia política y el dominio exclusivo de su territorio manifestado por cada comunidad, la posibilidad de la guerra está inmediatamente inscrito en el funciona­miento de estas sociedades: la sociedad primitiva es el lugar del estado de guerra permanente. Vemos aho­ra que la búsqueda de alianzas depende de la guerra efectiva, que hay una prioridad sociológica de la guer­ra sobre la alianza. Aquí se anuda la verdadera relaci­ón entre el intercambio y la guerra. (...) Precisamente a los grupos implicados en las redes de alianza, los so­cios del intercambio son los aliados, la esfera del inter­cambio recubre exactamente la de la alianza. Esto no significa, claro está, que de no haber alianza no habría intercambio: éste se encontraría circunscrito al espa­cio de la comunidad en el seno de la cual no deja de operar nunca, sería estrictamente intra-comunitario. (CLASTRES, 1987, p.207, grifos do autor)

Segundo Reichel e Gutfreind (1996), na porção Oeste, começa a fundação das primeiras cidades espanholas (1527- 1577); na parte Leste, as portuguesas (1680-1737), as quais foram acompanhadas de grandes batalhas, em que uma boa parte dos Charrua/Minuano foram atingidos. Isso, gradativa­mente, haveria de produzir uma mudança fundamental em todo o território indígena, pois essas populações neste primei­ro momento não se submeteram à “encomienda”,2 à “mita”3 e às “reduções/missões”,4 sendo que esta última fora utilizada principalmente com os indígenas Guarani.
Nos séculos XVII e XVIII, as frentes expansionistas nos tradicionais territórios Charrua e Minuano continuavam de forma lenta e cada vez mais efetiva. No final do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX, os tradicionais territórios Charrua/Minuano da bacia hidrográfica do Rio da Prata são efe­tivamente ocupados pelos colonizadores português e espanhol.

MONUMENTO AOS ÚLTIMOS CHARRUAS EM
PRADO DE MONTEVIDEO (1938).

As cidades multiplicaram-se e a exploração econômica, produzindo carne e couro para o mercado interno e europeu, aumentou significativamente.
Neste contexto, é possível apontar o protagonismo Char­rua/Minuano a partir das lógicas nativas, como é o exemplo da atuação de lideranças Naigualvé, Gleubilbé e Doimalnaejé, lu­tando ao lado de Don Francisco de Vera Mujica em territórios próximos a Santa Fé contra indígenas inimigos (BECKER, 1991). Por outro lado, quando os interesses nativos não mais estavam sendo atendidos, rompiam as alianças e recorriam à guerra, con­forme ilustra a situação envolvendo o cacique Campusano.

Este cacique Charrua entrerriano, pasado el pri­mer Tércio del siglo XVIII tênia sus tolderías em lãs márgenes del arroyo Feliciciano. Presume A. y Lara que es el mismo Campusano que, a fines de abril de 1749, com um grupo de índios hurtó caballadas de lãs estâncias del Pueblo Reducción de Santo Do­mingo Soriano. Habiendo salido en su persecución el Teniente de Dragones Francisco Bruno de Zava­la con un escuadrón en un potrero del Queguay. (BARRIOS PINTOS, 1981, p.87-88)


Gradativamente, as populações indígenas são empurra­das para o interior, local onde suas possibilidades de sobrevi­vência são cada vez mais difíceis, principalmente pela dispu­ta com grupos inimigos, como Araucanos, Tehuelches, entre outros, que também estavam em movimentação pelo territó­rio, devido às frentes expansionistas (SARASOLA, 1996). Em decorrência de não terem desenvolvido sua sustentabilidade nos moldes do capitalismo, bem como insistiam em continuar com seus padrões culturais um capítulo da história Charrua/ Minuano no século XIX, resume-se pelos dois combates feitos à traição – o de Salsipuedes (1831) e o de Mataojos (1832) – nos quais os indígenas destas duas etnias foram extermina­dos em grande maioria ou retirados de seu tradicional terri­tório, como, por exemplo, Vaimaca-Peru, Senaqué, Tacuabé e Guyunusa, que foram levados pelo comerciante François de Curel para Paris, lugar de onde não mais retornaram (HIL­BERT, 2009). A partir desses dois conflitos, equivocadamente propagou-se um discurso que os poucos Charrua/Minuano sobreviventes teriam forçadamente se integrado na sociedade da Banda Oriental do Uruguai.

Os charruas eram hábeis na montaria.


4 comentários:

  1. Os Charrua/Minuano praticavam a caça, a pesca e a cole­ta. Alguns arqueólogos cogitam a possibilidade da cultural ma­téria produzida pelos antepassados destes indígenas pertencer à Tradição Arqueológica Vieira... http://historiasgaucha.blogspot.com.br/ História do Rio Grande do Sul. RS

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    1. No entanto orugulhamo-nos da chacina dos Jesuítas "contratando" Guaranis para exterminarem Charruas e Minuanos...

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    2. Revolução? não, foi queima de arquivo da essência dos BRASIS

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  2. quando e como vieram parar em novo hamburgo?

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