quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A REVOLUÇÃO FARROUPILHA


A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, foi a mais longa rebelião do Brasil imperial: 1835 a 1845. A província, na fronteira com a bacia do Prata, tinha uma longa história de luta com os espanhóis pela posse de terra e de gado, o que originou a tradição militar dos estancieiros gaúchos, que se tornaram chefes de bandos armados para defender suas terras e seus rebanhos.

Os rebanhos gaúchos abasteciam o mercado brasileiro: bois, cavalos e mulas eram enviados para Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, onde eram usados para o transporte de café. O charque do Rio Grande do Sul era o principal alimento dos escravos e da população pobre do país.



O governo regencial elevou impostos sobre o gado, a terra e o sal, o que afetou os negócios dos pecuaristas gaúchos. Além disso, eles passaram a sofrer a concorrência do charque da Argentina e do Uruguai, que chegava mais barato ao Rio de Janeiro.
Sentindo-se desfavorecidos pelo governo central, pecuaristas gaúchos rebelaram-se. Em 20 de setembro de 1835, Bento Gonçalves, estancieiro e coronel da Guarda Nacional, tomou o poder em Porto Alegre. No ano seguinte, foi proclamada a República Rio-Grandense, com sede na vila Piratini, tendo por presidente Bento Gonçalves.

Os líderes e comandantes eram a elite farroupilha, composta por estancieiros, charqueadores e comerciantes. Arrastaram para a guerra seus empregados e dependentes, com os quais formaram tropas de peões, tropeiros, libertos e escravos alforriados. Os escravos libertados formavam o corpo dos Lanceiros Negros. Montados a cavalo e portando longas lanças eles infundiram terror aos adversários por sua habilidade com a lança, a adaga, o facão e a boleadeira.

A guerra estendeu-se para Santa Catarina sob o comando de Davi Canabarro e de Giuseppe Garibaldi. Em 1839, os farrapos conquistaram a cidade de Laguna e proclamaram a República Juliana.

Em 1842, o barão de Caxias foi designado para pôr fim à guerra. Depois de duros combates, as tropas farroupilhas foram derrotadas na Batalha de Porongos (1844), na qual os famosos Lanceiros Negros foram massacrados. Terminava a guerra de 10 anos.

Em 1845, fois assinada a Paz de Ponche Verde, que garantiu uma “paz honrosa”, pois atendia reivindicações dos farrapos.

Joelza Domingues

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Casa de Correção e Usina do Gasômetro Porto Alegre 1913

Incêndio e Demolição


 
  Na noite do dia 28 de novembro de 1954, por volta das 19:00h os presos atearam fogo no edifício principal da Casa de Correção. Apesar de sua estrutura extremamente forte, o fogo danificou praticamente todo o telhado e toda a estrutura interna dos andares superiores e parte do inferior. Após o sinistro, o presídio funcionou de forma precária até 1961 quando os últimos presos  foram transferidos para outros presídios inclusive para o atual Presídio Central de Porto Alegre que já se encontrava concluído. No dia 26 de abril de 1962 o então governador Leonel de Moura Brizola acionou pessoalmente a chave de detonação de dinamite que iniciou a demolição. Apesar da explosão e do ruído, as paredes ficaram de pé e pouco se notava externamente. Somente  no dia 11 de maio de 1967 a última parede da velha cadeia foi posta abaixo colocando fim a uma existência de 112 anos. Curiosamente, o engenheiro responsável pela demolição foi José Antonio Dib que anos depois viria a ser vereador por várias legislaturas e prefeito da cidade.



Duas fotografias, tomadas do Guaíba, que mostram a Casa de Correção e sua localização. Na fotografia superior -1913-  aparece parte do edifício principal e as muralhas que separavam o terreno na margem do Guaíba. Observar a chaminé existente no interior e que era de uma pequena usina à carvão que servia para movimentar as oficinas e outros serviços internos da velha cadeia.

Na fotografia inferior -1930-  aparece a recém construída Usina do Gasômetro ainda sem a sua simbólica chaminé que somente seria concluída no final de 1937.